Para ajudar um amigo alemão que recentemente mudou de Hamburgo para a cidade de Salvador (Bahia), viajei na semana passada para o Brasil. Foram 7 dias na capital baiana. Muito sol e calor. Mas também uma semana de preocupação, pois andar nas ruas da cidade e frequentar as praias maravilhosas requer muita atenção. O perigo de ser assaltado é imenso. Pois bem, sabendo disso lógico que procurei sempre estar atento a todas as situações. Mas ocorre sempre um momento de desatenção. E no sexto dia na cidade aconteceu... foi rápido, questão de minutos. Levaram meus pertences. Stress. Fui roubado. Fui à uma delegacia e dei parte do ocorrido. O policial para me confortar disse de maneira bem baiana: "se você tiver sorte talvez a sua identidade poderá ser encontrada". Eu, diante dessa passividade, perguntei: mas vocês não vão até la´para fazer um vistoria? E ele responde novamente de maneira bem baiana: "não adianta, pois não encontraremos o ladrão". E assim, saí da delegacia com a ocorrência nas mãos e fui telefonar para as empresas de cartão de crédito para cancelar meus cartões.
A contradição:
Já no outro dia no aeroporto da cidade, ao me apresentar ao controle de passaportes, fui indagado de maneira fria e prepotente do porque de minha viajem para a Alemanha. E respondi "eu vivo na Alemanha". O policial não satisfeito continuou com o interrogatório e eu respondi todas as perguntas. Não satisfeito com minhas respostas e com meu passaporte em mãos, o dito policial resolveu que gostaria de ver minha mala, que já se encontrava no avião. Assim, mandou que fosse retirada minha mala do avião e que eu esperasse até que todos os outros passageiros embarcassem. Então perguntei o porque disso, e ele me respondeu: "tem algum problema"? E eu respondi: na minha mala não tem nenhum problema". E ele respondeu: o sr. aguarda que lhe chamarei. Não tive outra escolha e tive que aguardar mais de uma hora.
Depois que todos os passageiros embarcaram, o policial resolveu abrir minha mala e tirou todas as minhas coisas que eu tinha arrumado com todo cuidado. Passou a cheirar tudo, amassar tudo, perguntar sobre a minha bagagem. Enfim, revistou-me como se eu fosse um criminoso perigoso em fuga para Europa ou um possível contrabandista. Então resolvi lhe contar o que havia acontecido comigo no dia anterior e completei dizendo: "é muito engraçado, eu agora aqui sendo tratado como se fosse um criminoso e ontem fui roubado e fui a uma delegacia dar queixas e não foi nada feito pela polícia...é um país de contradições, o sr não acha? Diante de minha indagação, o dito resolveu encerrar com o teatro e não respondendo minha pergunta, disse friamente: " o sr. pode arrumar sua mala novamente". E lá estavam minhas coisas espalhadas e as vistas no aeroporto de Salvador.
E a mim só restou, como um bom cidadão brasileiro, colocar as minhas coisas na mala e embarcar de volta para ser novamente um estrangeiro (e com prazer).
Mittwoch, 26. März 2008
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2 Kommentare:
Barra pesada, hein, Flávio? Por essas e outras digo que na Alemanha temos problemas, mas cuido de enfatizar que no Brasil a coisa também não é fácil. A PF trata o brasileiro da mesma maneira, ou pior, que os espanhóis nos tratam por essas bandas de cá.
Te desejo uma boa viagem. E bem-vindo à Alemanha!
Tem coisas lá e cá...
http://diariodoprofessor.com/2007/12/28/188/
http://diariodoprofessor.com/2008/03/26/a-carta-que-o-o-globo-nao-publicou/
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